quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Ciúme... por Alba Querino





O ciúme corrói... essa é uma verdade. É verdade por causa da experiência, não da teoria. O charme não faz parte do ciúme, mas do cuidado comigo, com o outro, com a relação. Se a gente traz esse cuidado com a relação, isso é charmoso e alimenta. Mas não o ciúme. Assim: percebo meu amado sendo assediado ou assediando. Se consigo honestamente dizer a ele que isso mexe comigo, me faz sentir a minha insegurança, perder o senso, sentir raiva porque não queria descobrir que estou insegura; tristeza por imaginar ser abandonada, passada para trás, ficar sozinha, ter meus sonhos de ‘felizes para sempre’ destruídos, e o que for mais... Se consigo trazer isso para mim e minha realidade, ao invés de jogar no outro, na outra, no mundo, me responsabilizo, confirmo ao outro o meu amor (ainda que inseguro) e me expresso. Dificilmente isso se torna uma questão de distanciamento no casal...

É bem sutil a diferença. O ciúme é jogar no outro a responsabilidade de nossos sentimentos e emoções. O cuidado é a expressão de mim mesma, tomando para mim a responsabilidade da coisa. Eu não acuso, eu me entrego. Eu não controlo, eu perco o controle desnecessário. Eu não julgo, eu me compreendo, me torno compassiva comigo mesma.

Fácil. Não. Um exercício diário.

O Veeresh, uma cara lá da Holanda, terapeuta fabuloso, criador da Humaniversity tem uma frase que é ‘You are Loveable!’. Todo o seu trabalho é em função de nos fazer acreditar, acreditar não, sentir, sentir profundamente que ‘I AM Loveable!’. E o ciúme é filho desse sentimento muito comum a todas nós: de não se sentir amável, ou amorável, numa tradução daquela frase. Sentimos ciúme porque não nos sentimos amáveis, passíveis de amor por quem realmente somos. E tudo, tudo que mais precisamos, se formos honestas de verdade, é de Amor. Simples assim: Amor. Amor, AMOOOOR.
Amor do papai, amor da mamãe, da titia, do amigo, do chefe, do filho, do marido, do namorado, do cachorrinho, do Mistério. Amor.

Um monte de coisa acontece na vida e quando a gente se vê crescida, TPM, cá estamos nós sem muita firmeza de que realmente merecemos ser amadas. Aí, surge o medo do outro não estar realmente amando esse ser não muito amável. Aí, vem a tentativa de assegurar nem que seja amarrando na cabeceira da cama, a pão e água, o objeto de nosso ‘amor’. Amarra, persegue, grita, investiga, morre por dentro, afasta...e o resto quase todo mundo já sabe...desde as mais discretas que se corroem por dentro até as mais insanas que ameaçam implodir o concreto das cidades com suas cenas de ciúme. Mas também tem as desconectadas. Essas dizem não sentir ciúmes, e não sentem. Não sentem nada. Nem o ciúme, nem o amor. Estão falsamente serenas, distantes de si mesmas e de qualquer coisa que reine entre o útero e o coração, passando pelo estômago. Possuem uma frieza estranhas essas criaturas. Aliás, não possuem.

Ah, Alba! Você está afirmando que não existem mulheres não ciumentas de verdade? Sim, existem...as mulheres que já sabem que são amáveis, loveable, como bem nos relembra o Veeresh. Aquelas que ao sentir essa insegurança vindo, subindo pela alma, sabem que isso pertence a elas mesmas e se expressam no relacionamento se responsabilizando por esse sentimento. E se elas percebem que não existe amor, mas um joguinho entre os amantes que nãos e entregam de verdade, então elas partem para outra, que na verdade é partir par si mesmas e para essa clareza de serem amoráveis. E mais importante ainda, essas mulheres sabem que o amor é completamente selvagem, dinâmico, mas isso já é assunto para outro post!

Então, para terminar, para a gente se lembrar sempre do que a gente precisa mesmo, vai uma musiquinha aí?! All we need is Love! Tudo que a gente precisa, nesse mundo, é Amor. E uma TPM sabe disso! Não é Carlinha, Maricotinha, Adriana e Bia? E...do jeitinho da gente, a gente sabe disso...

Um comentário:

Bia disse...

hum... so da pra dizer: 'Exatamente'! AMEI o texto, e o vídeo!!! :D