terça-feira, 13 de julho de 2010

A tal culpa... por Mariana Chetto


Meu sobrinho de 09 anos estava muito chateado e triste, porque não queria viajar. Iria perder o campeonato de futebol do condomínio. Minha mãe foi dizer a ele que existiam tantas crianças que gostariam de ter uma oportunidade de viajar, de passear, que nunca puderam entrar num avião, conhecer lugares diferentes... Crianças que não tem com o que brincar, que muitas vezes não tem nem o que comer e ele chorando tanto só porque ia perder 03 partidas de futebol?!

Ele responde ainda chorando muito: - Vó, agora eu estou sofrendo, chateado e pouco me importa que tenham crianças que gostariam de estar no meu lugar. Eu também gostaria de estar no lugar de uma criança que não fosse viajar agora, e daí? Cada um com seu sofrimento, ué? Por acaso a gente sofre porque que quer, é? Ou por acaso existe um medidor de dor? Se existe, mede a minha agora e você vai ver que é muito, muito grande...

E o pequeno ensina ao grande...


Eu levei aproximadamente 32 anos para descobrir que eu não tenho culpa... Culpa pela pobreza e miséria, culpa de ter nascido numa família economicamente estável, culpa de ser branca, culpa por ter pai e mãe, culpa por ter uma vida boa e feliz, culpa por não ser uma pessoa caridosa. Culpa, culpa, culpa e mais culpa. Passei muitos anos dentro de uma bolha enorme, densa e pegajosa de culpa...

E embora digam que onde não há culpa não há moral, o fato é que esta imensidão de culpa não me levou a lugar nenhum, não me tornou uma pessoa melhor, não me transformou...

Livrei-me desta culpa quando passei por uma dor quase insuportável e percebi o seguinte: Porque eu aceito a dor e sofrimento que existem em minha vida como natural, normal, parte da vida e até merecido em algumas ocasiões e não aceito as facilidades e felicidades da mesma forma?

Agora sim, sem culpa, sem este peso enorme, consigo passo a passo, devagar, avançar. Amar cada pedacinho de mim, cada característica por mais estranha e bizarra que possa ser ou parecer, compreender todas as minhas personagens... e, no meio deste amor, deste auto-perdão, ver desvanecer, sumir ou, como sempre fala minha amiga Alba “dissolver-se nesta aceitação”

Agora sim, aprendendo a amar a mim incondicionalmente, aprendo também, pouco a pouco a amar o outro, sentir a verdadeira compaixão. Sem culpa, e com total sintonia...

E vocês, hem? Sentem esta "bendita" culpa? Como lidam com isso?

3 comentários:

Fafa disse...

Sinto culpa 90% do tempo. Só não sinto culpada por me sentir culpada. Não vejo a culpa como algo negativo. Desconheço a culpa católica e culpa estóica. Para mim, culpa é responsabilidade. Sentir-se culpado é sentir-se responsável. Responsável por mim, pelo meu destino e por aqueles que me cercam. Bjs

Mariana Chetto disse...

Oi Fafa,

Muito obrigado pela sua contribuição. Talvez vc veja a culpa da mesma forma que o Mestre de Alba (Osho) a apresenta: como responsabilidade, ou seja, sem peso, apenas como "habilidade de responder a vida..." garota esperta!

Abraços e volte sempre!

Giovana disse...

Adorei este tema e a introdução - o pequeno ensina ao grande! Eu não sinto culpa nenhuma pelo que tenho de bom e pelas minhas qualidades...mas sinto sim responsabilidade ( a diferença entre este sentimento e culpa sempre foi muito clara para mim)em compartilhar estas "fortunas" com outros.
Quando não consigo fazer isto, seja por qualquer motivo, me sinto triste e vejo pouco sentido em minha vida...
Taí outro tema. O sentido da vida! Este é de pirar...